Uma linda metáfora sobre a empatia




Já ouvimos falar diversas vezes sobre a empatia, sua importância nos relacionamentos sociais, seus poderosos efeitos na comunicação com o outro, na necessidade de incorporá-la nas nossas vidas como uma coisa indispensável. Contudo, pouco ouvimos falar sobre o peso que esta ocupa em uma relação psicoterapêutica, e sobre como sem a empatia o barco da terapia fica à deriva. Longe do seu lugar no mundo, se desvia contra o prognóstico.

A empatia do terapeuta para com seus clientes é tão necessária e vital para o seu bom funcionamento como é para nós o ar que respirarmos. É um bem do qual não se pode prescindir.


Alguns anos atrás ouvi uma metáfora belíssima sobre o processo de acompanhamento na terapia. Quem a contou foi um psicólogo especialista em luto que aprecio muito e admiro profundamente. Ele dizia que o paciente, ou a pessoa que nos traz a sua dor, vai nos lançando uma série de fios. Sim, como os fios de um novelo de lã. Os lança no seu próprio ritmo. Às vezes demoram para lançá-los, e outras o fazem de repente.



O terapeuta recolhe esses fios que o paciente lhe lança, mas longe de deixá-los de lado, devolve cada um deles com um feito por si mesmo. Pouco a pouco os fios vão se cruzando e o tear vai sendo formado. Esse tear personalizado será o que servirá de sustentação, e sobre ele, em futuras ocasiões, o paciente poderá se apoiar. O tear que ambos criaram é uma metáfora de como é o relacionamento terapêutico.

Terapeuta e cliente navegam em um mesmo barco

A relação terapêutica não pode ser entendida sem empatia. A empatia é essa sustentação, é esse maravilhoso tear sobre o qual o processo terapêutico avança. Cada gesto, cada emoção, cada pensamento, cada necessidade é ouvida, é entendida e é devolvida de uma forma mais clara, mais nítida e mais ajustada à pessoa que está diante de nós.
O terapeuta não navega em um barco diferente. Está no mesmo barco que o seu paciente. E navegam juntos. Ele o acompanha nessa travessia incerta e cheia de vida.